Mostrar mensagens com a etiqueta Família. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Família. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de março de 2013

Dicas para pais IV

Memória e Aprendizagem


Dicas para pais IV

Memória e Aprendizagem

Um homem foi trabalhar como lenhador para as montanhas. No primeiro dia, cortou a madeira sem parar, com muito empenho e energia. No segundo, dedicou-se à tarefa com igual vigor, mas não conseguiu derrubar tantas árvores. O seu rendimento baixou mais ainda no terceiro dia, apesar do seu elevado esforço. O trabalhador começou a desanimar, especialmente porque reparou que um colega seu, que fazia mais pausas e não cortava lenha tanto tempo seguido como ele fazia, tinha resultados
muito mais constantes. O capataz, percebendo o desalento do lenhador, perguntou-lhe:

— Quantas vezes afiaste o machado?
Nesse momento, o homem percebeu o segredo do companheiro: sempre que fazia uma pausa afiava a lâmina e tornava o seu trabalho muito mais eficaz.

Adaptação de uma história de tradição judaica

O lenhador percebeu que havia estratégias que lhe permitiam tirar mais partido
do seu trabalho. O mesmo se passa com a memória. Conhecer os seus
mecanismos de funcionamento torna-se assim essencial para que a possamos
rentabilizar e utilizar ao serviço do processo de aprendizagem.
A memória é a capacidade de convocar os conteúdos aprendidos, que são armazenados para serem utilizados em situações posteriores. A aprendizagem ocorre numa viagem
de vaivém entre a memória de curto prazo e a memória de longo prazo.

A primeira apresenta uma possibilidade limitada de armazenamento da informação, que é retida somente por alguns segundos. Esta capacidade pode ser, contudo, aumentada, se os itens forem agrupados. No entanto, é a memória a longo prazo que nos permite recordar uma grande quantidade de informação durante extensos períodos de tempo. Trata-se de um inesgotável arquivo, que se baseia na repetição e organização por categorias, cujo funcionamento importa, por isso, conhecer.

Alguns conselhos

A organização é o motor da aprendizagem

A retenção da informação é potenciada pelo agrupamento dos dados por categorias. Assim, podemos destacar algumas estratégias favoráveis à memorização.

1. Identificação de palavras-chave nos textos.
2. A representação da informação por esquemas.
3. A realização de resumos e fichas sobre conteúdos a reter.
4. A reescrita ou reconto das aulas, a partir das ideias essenciais.

Em casa, com estratégias diversificadas, o aluno deverá consolidar os saberes
É importante que o aluno reempregue os conhecimentos obtidos na escola noutros contextos. Em família, poderá visionar documentários, discutir pontos de vista, utilizar as novas tecnologias, enriquecendo assim os conceitos apreendidos com diferentes
facetas da mesma realidade.

Os pais poderão também recorrer a mnemónicas escolares.

A escrita favorece a aprendizagem

Utilizar a escrita, para além de ajudar a organizar e reter a matéria, favorece a aquisição da ortografia e amplia o vocabulário da criança.

As mnemónicas facilitam a aprendizagem
A criação de mnemónicas é um processo divertido para as crianças que ajuda a memorizar os saberes.

As emoções são os grandes filtros da memória

No fim da vida, as grandes lições que tirámos, os grandes princípios que registámos são sempre aqueles que a emoção não deixou apagar.
Por isso, no momento da aprendizagem, não se esqueça do essencial: fica gravado tudo aquilo que nos marca, que nos seduz.

José Matias Alves Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa

domingo, 3 de março de 2013

Dicas para pais III



Desenvolvimento intelectual, psicossocial e moral das crianças e jovens

Seguem-se sete dicas para ajudar o desenvolvimento intelectual, psicossocial e moral, a partir das teorias de Piaget, Erikson e Kohlberg.

i)              Desenvolver o raciocínio através de jogos

O recurso a enigmas e charadas, que implicam a formulação de hipóteses
e a criação de conjeturas, poderá ajudar a criança a abstrair-se
do real, a lidar com noções abstratas e a dominar mais facilmente as
operações formais, de importância vital para a resolução de alguns problemas
de Matemática e para o estabelecimento de relações entre as
várias matérias curriculares.

ii)             Preparar debates em contexto familiar

Em casa, é importante que o educador fale com o seu filho sobre questões
do âmbito moral, social, filosófico, para levá-lo a partilhar os seus
pontos de vista e a alargar os limites do seu mundo, interessando-se pelo seu meio e pelo Outro.


iii)            Os pais deverão ajudar a criança a aumentar a sua autoestima.

É fundamental acompanhar a criança no seu percurso escolar, incentivando-a, reforçando os seus êxitos, acompanhando-a nos seus problemas, para ajudá-la a construir uma auto-imagem positiva.

iv)           É importante perceber que a procura da identidade implica independência, confusão e insegurança.

Ao entrar na adolescência, o jovem entra numa crise, cuja resolução é a procura do Eu. Esta fase não é fácil, poderá gerar conflitos. O educador deverá estar ciente das agruras deste caminho de busca, de insatisfação, para melhor lidar com ele.

O desenvolvimento moral constitui um processo lento e complexo, cujos avanços dependem das operações dos estádios anteriores. Contudo, podem indicar-se alguns conselhos para o seu estímulo:

v)            Criação de comunidades justas.
Os educadores, em casa, poderão implementar sistemas de gestão partilhada
e distribuição de responsabilidades, dividindo, por exemplo, as tarefas domésticas.

vi)           Organização de reuniões para discussão de dilemas morais.
O debate e o confronto de pontos de vista ajudarão a criança a desenvolver o seu juízo moral.
vii)          Indicação de livros que apelem para um desenvolvimento moral adequado ao nível dos leitores.
Livros como o Diário de Anne Frank, ou as fábulas de La Fontaine fomentam o debate moral e o crescimento interior.

José Matias Alves 
Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dicas para pais II

A FAMÍLIA TAMBÉM ENSINA



 A família também ensina. Ensina com os hábitos que adquiriu, com os valores que pratica, com a linguagem que usa, com os exemplos que dá, com as regras que instituiu institui.

A família também ensina é, pois, uma evidência, um lugar comum. Mas é importante ter consciência de que os ambientes familiares são muito importantes para a educação das crianças. Pelos laços afetivos, pela permanência, pelo poder do exemplo.

 Ter consciência de que as palavras, as regras, os hábitos, as relações familiares, os exemplos têm uma importância vital no desenvolvimento das crianças. Ensinamos, em larga medida, o que somos.

Para a escola básica (e agora para o ensino secundário) vão todas as crianças e jovens. A escola é o único lugar social por onde todas as pessoas passam e desempenha, por isso,  um papel central no desenvolvimento pessoal e na integração social.

E vão à escola não apenas para estar, mas para aprender a ser. Vão para aprender conteúdos essenciais no domínio da leitura, da escrita, do cálculo, das línguas estrangeiras, do espaço, do tempo, das tecnologias. Para aprender a conviver, a trabalhar em equipa, a respeitar os outros. Para viver e aprender a enfrentar a vida futura com maiores probabilidades de êxito pessoal, social e profissional. Sem estas aprendizagens (todas), as pessoas não terão um futuro de dignidade e de liberdade.

A escola é uma segunda casa, uma segunda família, agora numa escala muito maior.
Se a escola também ensina, então é fundamental uma cooperação com a família. Um conhecimento mútuo, um diálogo fecundo. A escola, através do diretor de turma, pode e
deve conhecer o contexto familiar da criança para que a educação escolar possa ter em conta essa especificidade. E a família, através do encarregado de educação, pode e deve informar, pode e deve conhecer a organização escolar, os seus direitos e deveres, o programa educativo que o seu filho seguirá.

Sugestão: pergunte ao diretor de turma quais as aprendizagens fundamentais que o seu filho terá de realizar em determinado ano. E peça-lhe conselho sobre a forma de cooperar para a consecução dessas aprendizagens.


José Matias Alves
Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa