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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Dicas para pais XI


Dislexia


Sim, é bonito, mas onde estão as rodas? — perguntou o pequeno Albert quando viu pela primeira vez Maja, a sua irmã recém-nascida.

Na escola, o rapaz demorava tanto tempo a pensar antes de responder que os professores rapidamente se irritavam. Diz-se que tinha dificuldades de leitura, de escrita e de concentração, o que levou a que muitos nele identificassem a dislexia.

O seu sobrenome era Einstein. Em 1919 tornou-se mundialmente famoso devido ao reconhecimento científico da sua Teoria da Relatividade e em 1921 recebeu o prémio Nobel da Física.

Adaptado de Querido Professor Einstein
Edições ASA

Alunos de inteligência normal, ou até acima da média em determinados campos do saber, poderão ficar presos num quadro de dificuldade de leitura, que poderá ensombrar a sua vida académica e social. É importante conhecer melhor o que é a dislexia, para identificá-la precocemente e aprender a lidar com esta dificuldade específica de aprendizagem.

QUESTÕES FREQUENTES

O que é a dislexia?

É uma perturbação na aprendizagem da leitura e da escrita, que gera dificuldades de distinção ou memorização de letras ou grupos de letras e problemas na ordenação de frases.

A criança com dislexia apresenta dificuldades em organizar as palavras num código verbal.
Quando poderá ser detetada?

Aos 4-6 anos pode já detetar-se alguns indicadores primários da futura dislexia. A deteção precoce afigura- se muito importante para a prevenção dos efeitos de uma dislexia futura.


Ao nível do pré-escolar

Problemas articulatórios.;
Pobreza de vocabulário.;
Dificuldades na compreensão verbal;
Dificuldades na perceção de cores, formas, tamanhos, posições.
Problemas na atenção.
Dificuldade em aprender rimas e canções.
Falta de interesse por livros impressos.

Escolar

Dificuldades na aquisição e automatização da leitura e da escrita .
Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafias semelhantes.
Exs.: a, o – h, n.
Confusão entre letras que representam sons acusticamente semelhantes, como d-t, c-q.
Inversão de sílabas.
Desatenção e dispersão.
Dificuldade em copiar do quadro.
Confusão entre direita/esquerda.
Dificuldade em decorar sequências.

Que tipo de apoio necessita uma criança com dislexia?

Os sintomas atrás indicados podem, por si só, indicar apenas um distúrbio de aprendizagem. Para diagnosticar a dislexia deverá procurar-se ajuda profissional.

Conselhos fundamentais para a vida escolar e doméstica

Os pais deverão respeitar a individualidade da criança e reforçar os seus pequenos êxitos.
Pode surgir com frequência um sentimento de tristeza e de auto-culpabilização, podendo o seu filho apresentar uma atitude depressiva diante das suas dificuldades. A perturbação na leitura e o frequente insucesso escolar podem prejudicar gravemente a autoestima do jovem. Torna-se, por isso, muito importante perceber a sua situação e incentivá-lo.

A leitura em voz alta pode ajudar a criança com dislexia.
Em casa, os pais poderão ler as instruções das questões em voz alta, ajudando a criança a perceber melhor o que se pretende com determinada atividade. A leitura de contos também ajuda a desenvolver as capacidades de leitura e escrita do seu filho.

É imprescindível motivar o seu filho

Estas crianças revelam frequentemente falta de atenção. O grande esforço intelectual que têm de despender para superar as dificuldades de perceção causa alguma fadiga, que, por sua vez, influencia a estabilidade do seu comportamento.
Estabeleça critérios concretos em relação às capacidades reais do seu filho.

Adeque os objetivos de determinado projeto às capacidades da criança.
Avalie os seus progressos em função das melhorias registadas desde a fase inicial do trabalho.
Repita a informação.
Devido aos frequentes problemas de distração dos jovens com dislexia, convém repetir a informação, para assegurar que ela é compreendida.

Dê-lhes tempo para acabar as tarefas

Uma das grandes frustrações relaciona-se com a dificuldade que estas crianças têm em terminar as tarefas.
Deste modo, com mais tempo, o seu filho tenderá a ficar mais motivado e mais confiante nas suas próprias capacidades.
Não se esqueça das dificuldades práticas relacionadas com o problema da dislexia.
Os pais não se podem esquecer de que o seu filho tem uma dificuldade específica de aprendizagem, que pode afetar alguns aspetos do seu dia-a-dia. Ficam aqui algumas destas limitações, para que nelas possam agir a atenção e a compreensão.

Conhecendo-as, pais e filhos, poderão enfrentar melhor esta situação:
confusões com as horas do dia;
enganos acerca dos lugares onde a criança guarda as suas coisas;
tendência para a desordem;
distrações quanto aos horários.

Algumas estratégias que poderão ajudar estas crianças

Reconto de histórias simples.
Recitação de pequenos poemas.
Execução de ordens simples, como o levantar do pé/mão esquerda/direita, para desenvolver a lateralidade.
Realização de exercícios para distinção de letras – p/q; b/d; m/n.
Resposta a perguntas sobre o horário escolar.
Treinos de leitura.

A dislexia e a avaliação

No processo de avaliação da criança disléxica, é aconselhável pôr a tónica na oralidade, uma vez que é o domínio em que ela tem mais sucesso.

Isto não implica, contudo, que não se deva verificar a avaliação escrita.
Neste caso, porém, os erros não deverão ser motivo de penalização, uma vez que são característicos da própria dislexia.



José Matias Alves
Faculdade de Educação e Psicologia da UCP





segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dicas para pais IX

Indisciplina

Trata um homem como é e continuará a ser o que é. Trata um homem como pode e deve ser e converter-se-á no que pode e deve ser.
Goethe
Um dos maiores problemas a afetar a vida familiar e a escolar é o da indisciplina.
Na escola ou em casa surgem problemas a que o educador tem de responder com firmeza e justiça. Alguns conselhos poderão ajudá-lo nessa difícil tarefa.

A questão da indisciplina é extremamente complexa e move inúmeros fatores. Pretende-se aqui, somente, apresentar algumas sugestões, em jeito de conselho, que poderão ajudar na resolução de eventuais situações-problema.

AS NORMAS EFECTIVAS CONTRIBUEM PARA QUE A CRIANÇA SE SINTA SEGURA E CONFIANTE

É importante construir, juntamente com criança, um conjunto de regras que possam nortear o seu comportamento. Como é natural, a definição de normas deve adequar-se a cada contexto específico e ser discutida com a criança.

Deverá ficar bem claro, contudo, que alguns aspetos são negociáveis e que outros não o são, explicando-se as devidas razões.

Como estabelecer um quadro de regras?

 O educador e a(s) criança(s) constroem uma lista com a definição de comportamentos adequados ou desadequados em relação ao contexto previsto – comportamento em casa, visita a familiares, etc.

Selecionam os que, pela sua importância, obrigam à formulação de regra, sendo de clarificar os casos em que esta tem de ser imposta.

Formulam as normas com clareza, para serem bem entendidas pelos mais novos, e de modo positivo, chamando a atenção do jovem para o comportamento adequado.

Ex.: Devo respeitar a minha vez de falar, em vez de Não devo interromper os outros.

Escrevem uma lista com as consequências relativas ao incumprimento das normas
definidas.

Conselhos para a sua aplicação

i)                    Evitar um número exagerado de regras. As normas não devem ser em demasia, caso contrário, o aluno não as vai interiorizar e respeitar.
ii)                  Explicar bem o que é pretendido. Muitas vezes a criança falha porque não ouve, não percebe ou não fixa a ordem que lhe foi dada. Assim, antes de exigir a execução de uma tarefa, deverá discriminar o que é esperado do seu filho, indicar o tempo disponível para o efeito e averiguar se este percebeu o que era pedido.
iii)                Ser coerente e razoável na aplicação do castigo. Para que uma criança aprenda, é necessário que uma conduta tenha sempre o mesmo tipo de consequência.

O REFORÇO DAS CONDUTAS POSITIVAS

O reforço visa aumentar a frequência dos comportamentos adequados, recompensando a criança por algo que fez bem. Pode ser um elogio, um sinal de afeto e carinho, ou mesmo um pequeno prémio.

Deve seguir-se imediatamente ao comportamento pretendido. Se não for assim, perderá o seu efeito e será mais facilmente esquecido. Depois de estar interiorizado o comportamento desejado, o reforço deverá ser intermitente.

O CASTIGO

O castigo deverá decorrer do incumprimento das regras previamente definidas. Se o seu filho não compreender o que era esperado dele, o ato de castigar vai ser gratuito e prejudicial ao desenvolvimento.

Castigar pode consistir em repreender o jovem ou privá-lo de algo de que ele gosta.

Alguns aspetos não poderão ser contudo esquecidos, na altura em que é necessário mostrar-lhe que o incumprimento de determinadas regras tem consequências negativas.

i)                    Deve surgir imediatamente após o ato cometido. Caso contrário, ele não conseguirá relacionar a falta com a consequência do seu ato.
ii)                  Deve ser proporcional ao erro. Os pais terão de reagir calmamente e não em função dos seus humores.
iii)                Deve ser consistente. Não faz sentido que a mesma infração resulte em castigos diferentes, porque, assim, o seu filho não conseguirá interiorizar um padrão de comportamento.


 José Matias Alves
(Professor da UCP)