sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Uma "transição programada” do 4º ao 5º ano de escolaridade

 Um testemunho -  ao encontro do futuro Diretor de Turma...
O director de turma é o professor que acompanha, apoia e coordena os processos de aprendizagem, de maturação, de orientação e de comunicação entre professores, alunos e pais (MARQUES, 2002)

Jorge Gomes, no encontro das escolas Rede TEIP, em Lisboa, focou o papel de relevo que o diretor de turma desempenha na integração dos alunos e na articulação com a familia, descrevendo uma prática que leva a cabo no seu agrupamento:

"As equipas pedagógicas são constituídas no início do terceiro período do ano letivo anterior. Desta equipa destaca-se o papel do futuro Diretor de Turma que visita e acompanha semanalmente (um dia/semana) a turma do 4º ano, ou seja, a sua futura direção de turma no ano letivo seguinte.

Este docente promove uma efetiva articulação e integração, cujo resultado final consiste em promover uma mudança de escola e de ciclo de ensino mais harmoniosa.

Igualmente os alunos e as famílias visitam a escola sede, onde ficam a conhecer o pavilhão e a sala que lhes será destinada durante o 2º ciclo de escolaridade.

 Este conhecimento mútuo permite diminuir angústias de transição aos alunos e antecipadamente ao futuro diretor de turma conhecer, em contexto de aprendizagem, os seus futuros alunos."

O Diretor - Jorge Gomes
Agrupamento de Escolas Mães D’Água

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A articulação entre jardim-de-infância e a primeira escola


Pascal Paulus, consultor externo, faz o acompanhamento a algumas escolas do Programa TEIP.
Nesta reflexão, sublinha a importância da articulação entre ciclos e o papel do professor na seleção de tarefas que sejam significativas para os alunos.
"Nos últimos 15 anos tenho acompanhado educadores de jardim-de-infância e professores de 1º ciclo, em dezenas de escolas, inseridas ou não em territórios educativos de intervenção prioritária. O trabalho de formação em articulação com a interação direta em sala de aula tem-me revelado a importância do conhecimento prévio de contextos, por parte dos profissionais da educação. A aprendizagem das crianças de 4 a 10 anos torna-se douradora, quando, à partida, as atividades propostas têm sentido para elas e para os seus educadores. Quando estas atividades originam documentos da sua autoria e geram momentos de comunicação de discussão, elas mostram-se processos de aprendizagem muito eficazes. Em meios ricos e diversos, como os são as escolas que acolhem crianças com origens culturais diferentes, com saberes diferentes e idades diferentes, é mais fácil encontrar estes pontos de partida. Quando nestas escolas, os professores de 1º ciclo observam o trabalho em salas de jardim-de-infância, e se apercebem mais facilmente de todo o conhecimento de que as crianças já dispõem, quando passam para o 1º ano, eles evitam a introdução involuntária da repetição de momentos de instrução ou de procedimentos normalizados e repetitivos que desmotivam quem vem com expectativas enormes para a "grande escola". A continuação de um trabalho social de aprendizagem, coletivo e individual, com abordagens integradas das disciplinas, avaliado em conjunto e permanentemente escrutinado, também em conjunto, à luz do currículo proposto, tem-se mostrado eficaz para que as crianças possam percorrer com sucesso os quatro anos do 1º ciclo. Em geral, temos constatado a eficácia de contextos de trabalho integrado baseado em projetos abrangentes dos quais as crianças, acompanhadas de perto pelo adulto, são coautores, na sua planificação, na execução, na apresentação e na avaliação. "
Pascal Paulus
Fundação Aga Khan

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Este é um dos anos mais importantes das vossas vidas (…)



"Corre um aviso de sala em sala que passa pelas turmas de 9.º ano para uma reunião, no auditório da escola com o Sr. Diretor. Dias depois, os alunos das turmas anunciadas percorrem o caminho até ao local, onde me encontro já à sua espera. Passam por cartazes afixados nas paredes da escola com estímulos positivos e frases alusivas aos exames. Muitas delas com fotos de alunos.


Chegam ansiosos, acompanhados pelos diretores de turma e com a ignorância do que lhes vou falar. Os seus olhos fixados nos meus. À porta, cumprimentam-me. Entro no fim. O momento é quase mítico.
Há um silêncio gélido na grande sala. Começo sem hesitar: “Este é um dos anos mais importantes das vossas vidas. Agarrem-no! Este ano temos exames nacionais e é disso que vos venho falar. Cabe-vos a vós aproveitar esta oportunidade que está a chegar…Peçam ajuda aos vossos professores, venham às sessões de apoio, quando não tiverem aulas,.. estamos cá todos para vos ajudar, neste que é um dos anos mais importantes das vossas vidas, o futuro é vosso e é vossa a escolha que fizerem… amanhã nos exames nacionais. Vamos fazer história, abandonar de vez os maus resultados e orgulhar-nos da nossa escola, dos nossos alunos. Eu sei que vocês conseguem.
No fim, passados 45 minutos a ouvir falar o Sr. Diretor sobre a importância da escola e dos exames nacionais, abandonam a sala calados e introspetivos. Seguros do que querem, numa fila organizada, estendem à vez as suas mãos à minha, com os olhos dentro dos meus: Obrigado Sr. Diretor! Valeu a pena. Toquei-os."
Pedro Florêncio, Diretor do Agrupamento Vertical de Escolas Ordem de Santiago


Comentário do consultor externo, Vítor Alaiz, Professor da UCP, relativamente ao testemunho do diretor enfatizando o seu papel enquanto líder.


"Num contexto em que, muitas das famílias dos alunos, pouca importância atribuem à aprendizagem escolar, o facto de o diretor da escola se ter lembrado de falar diretamente aos alunos sobre a importância para a escola da vitória de cada um no exame, parece-nos uma estratégia que, a par de outras, pode contrariar a desmotivação de muitos e reforçar a motivação de alguns, pode ajudar a mudar atitudes perante a escola.
A investigação educacional vem chamando a atenção para o impacto da liderança de topo na melhoria das aprendizagens dos alunos. Estas conversas do Diretor com os alunos, não sendo ameaças (se chumbas, …), antes apelando em termos individuais (é o ano mais importante das vossas vidas) a uma vitória de todos (a escola tornar-se-á a melhor) são algo de relativamente inovador.
O líder transformacional aumenta o grau de compromisso dos seguidores para com a visão, a missão e os valores organizacionais comuns ao enfatizar a relação entre os esforços dos seguidores e o alcançar das metas organizacionais. … (Castanheira e Costa, 2007)
                                                                                                                                  
Vitor Alaiz, 6fev2013






terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

No Alentejo e quase a terminar a rota da rede de escolas TEIP!

No dia 4 de fevereiro, realizou-se o encontro das escolas da rede TEIP do Alentejo. Esta iniciativa contou com a presença do Diretor-Geral da Educação que participou de forma ativa no debate . Sublinhou ainda a importância dos testemunhos, das práticas e dos projetos das escolas TEIP em rede como partilhas promotoras do sucesso educativo.


Mais uma vez, foi um debate de diretores, coordenadores e consultores, em torno do universo escola, na procura da melhoria da qualidade das aprendizagens.
Enunciaram-se algumas das práticas em curso (ver slideshare).



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

É no 1º Ciclo do Ensino Básico que tudo começa!

Foi assim que a sessão de trabalho começou no Agrupamento de Escolas de Santo António. O encontro foi destinado a docentes do 1º ciclo do Ensino Básico sobre a temática da Avaliação, o que permitiu a discussão sobre a importância das aprendizagens no 1º ciclo para a construção de percursos educativos sólidos, estruturados e conducentes ao sucesso dos alunos . Valorizou-se, também, o papel das práticas pedagógicas do professor e a sua poderosa influência nas aprendizagens dos alunos desde o 1º ciclo do Ensino Básico.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os Professores que me salvaram



"A verdade é que fui um mau aluno e que a minha mãe nunca se refez completamente desse desgosto. Hoje que a sua consciência de senhora muito idosa abandona os limites do presente e reflui lentamente para os longínquos arquipélagos da memória, os primeiros recifes que emergem recordam-lhe a inquietação que a devorou durante toda a minha escolaridade. 
Pousa em mim um olhar inquieto e, lentamente:

– Que fazes na vida?

O meu futuro afigurou-se-lhe tão comprometido desde sempre que nunca acreditou muito no meu presente. Não estando destinado a ter futuro, eu não lhe parecia preparado para durar.

Eu era o filho instável. (...)

Eu era, portanto, um mau aluno. Na minha infância, chegava todos os dias a casa perseguido pela escola. As minhas cadernetas reflectiam a censura dos professores. Quando não era o pior da turma, era o penúltimo. (Bravo!) Impenetrável à aritmética primeiro, à matemática em seguida, profundamente disortográfico, refractário à memorização das datas e à localização dos pontos geográficos, inapto para a aprendizagem de línguas estrangeiras, considerado preguiçoso (lições não estudadas, deveres por fazer), levava para casa notas lamentáveis que nem a música, uma qualquer actividade desportiva ou extracurricular, de resto, conseguia remediar.

– Compreendes? És ao menos capaz de compreender o que te explico?

Eu não compreendia. Esta incapacidade de compreender remontava tão longe na minha infância que os meus familiares criaram uma lenda para datar a sua origem: a aprendizagem do alfabeto. Sempre ouvi dizer que precisei de um ano inteiro para aprender a letra a. A letra a, num ano. O deserto da minha ignorância começava antes do intransponível b.

– Não entremos em pânico, daqui a vinte e seis anos ele dominará perfeitamente o alfabeto.
Assim ironizava o meu pai para afugentar os seus próprios receios. (...)

Eu era um objecto de estupefacção, e de estupefacção constante, pois os anos iam passando sem contribuir com a mínima melhoria para o meu estado de torpor escolar. «Fico de boca aberta», «Nem posso acreditar» são expressões familiares, associadas a olhares de adultos nos quais vejo que a minha incapacidade de assimilar o que quer que seja escava um abismo de incredulidade. Aparentemente, toda a gente compreendia mais depressa do que eu.
– És totalmente tapado! (...)

...Mas evitemos subestimar a única coisa sobre a qual podemos agir pessoalmente e que, essa, data da noite dos tempos pedagógicos: a solidão e a vergonha do aluno que não compreende, perdido num mundo em que todos os outros compreendem. Só nós podemos tirá-lo dessa prisão, tenhamos ou não formação para o fazer.

Os professores que me salvaram – e que fizeram de mim um professor – não tinham recebido nenhuma formação para esse fim. Não se preocuparam com as origens da minha incapacidade escolar. Não perderam tempo a procurar as causas nem tampouco a ralhar comigo. Eram adultos confrontados com adolescentes em perigo. Pensaram que era urgente. Mergulharam de cabeça. Não me apanharam. Mergulharam de novo, dia após dia, mais e mais…

Acabaram por me pescar. E muitos outros como eu. Repescaram-nos, literalmente. Devemos-lhes a vida."


Daniel Pennac in "Mágoas de Escola"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Avaliação Externa

No novo ciclo de Avaliação Externa das Escolas (IGE), foram, até ao momento, avaliados 20 agrupamentos TEIP.

São  4 as escolas com Muito Bom na totalidade dos aspetos avaliados.
Destaca-se ainda a excelente prestação de 12 destes agrupamentos no domínio da liderança e da gestão. Estes são um dos pontos fortes que predominam como resultado de práticas organizacionais abrangentes e eficazes.

Cumprem-se os desígnios do Programa TEIP, onde se assume o desenvolvimento das escolas e a inclusão/ integração de todos os alunos, o combate ao absentismo e à indisciplina,  promovendo a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos, numa perspetiva reflexiva e de aperfeiçoamento contínuo.