terça-feira, 30 de abril de 2013

Diálogos interprofissionais para uma intervenção de qualidade nas escolas TEIP

Ontem, realizou-se na Escola Secundária/3 Garcia da Orta, no Porto, um encontro de técnicos que fazem o acompanhamento aos agrupamentos de escola TEIP, sob o tema “Diálogos interprofissionais para uma intervenção de qualidade nas escolas TEIP”.

Dinamizaram a ação Ariana Cosme da FPCEUP, José Luis Gonçalves, Presidente da ESE Paula Frassinetti , Pedro Calado, Programa Escolhas e Andreia Ferreira, representante da EPIS.
As comunicações centraram-se no papel dos técnicos como interlocutores privilegiados que estabelecem pontes de comunicação e diálogo entre a família, professores e alunos.
Ficou patente que não há soluções prontas e milagrosas, mas antes tentativas na procura de melhores respostas. Que é um equívoco pensar que com a mesma estratégia se vão obter resultados diferentes. Que é essencial interpretar os acontecimentos não exatamente o que acontece, mas alguma coisa no que acontece –  José Luís Gonçalves.
Não se pode continuar a ensinar e a avaliar os alunos como se estes fossem um só. Os técnicos devem procurar aproximar a sua função à ação de “andaimar” os percursos de aprendizagem dos alunos –  Ariana Cosme.
Pedro Calado do programa Escolhas e Andreia Ferreira da EPIS partilharam connosco algumas das dinâmicas e projetos que têm implementado nas escolas. Foi também pertinente os testemunhos de alguns técnicos que apresentaram dinâmicas e preocupações vivenciadas no terreno. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A aprendizagem é favorecida se se encontrar um sentido que a justifique!

Carlinda, Leite, Professora da PFCEUP, que faz o acompanhamento a algumas escolas TEIP, numa entrevista realizada em 2009 à revista Noesis, descreve o seguinte acontecimento que diz respeito a
 “… famílias que tinham apenas a leitura e a escrita rudimentar como meta e não viam na aprendizagem qualquer vantagem, as suas crianças aprenderam a ler escrevendo cartas aos familiares que estavam presos. Lembro-me de uma criança que, na primeira carta que escreveu, teve de aprender que a escrita representava uma abstração. Nessa primeira fase a criança ditou a carta e a professora escreveu. Depois, e para que a criança acompanhasse este processo, ela foi envolvida em tudo o que era exigido para que a carta chegasse ao destino e recebesse uma resposta do remetente do envelope. Ou seja, a criança teve de endereçar a carta, pôr o selo e levá-la ao correio. A segunda carta, embora manuscrita pela professora, foi já copiada pela criança, e lembro-me que na terceira a criança escreveu: “Mãe, desta vez sou eu que estou a escrever.” É vulgar as crianças aprenderem primeiro a ler do que a escrever, mas o facto de estarem a escrever com sentido fez que aquela criança aprendesse rapidamente. Daqui tira-se uma ilação: é que a aprendizagem é favorecida se se encontrar um sentido que a justifique."

Leite, C. (2009). “Caminhos para o sucesso” in Noesis, revista do Ministério da Educação (DGIDIC, nº 78, pp.36-41

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dicas para pais X


O Stresse Associado à Escola

Era uma vez um rei que viu os seus campos serem saqueados por um terrível exército. Percebeu então que tinha de proteger o castelo, o único refúgio do seu povo. Toda a população estava aterrada mediante a perigosa ameaça.
Na manhã em que se previa o ataque, o rei mandou abrir todas as portas e janelas da fortaleza. Segundo a lenda, os soldados invasores ficaram assustados com a calma daquele reino e, receosos, bateram em
retirada.

(Adaptação de um conto de tradição chinesa)
O stresse resulta da alteração do nosso equilíbrio e da nossa capacidade de adaptação provocada por uma determinada situação ou acontecimento. É uma emoção negativa que poderá afetar também as crianças e os jovens, já que estes têm de passar por diversas fases de desenvolvimento, que podem, por vezes, constituir verdadeiros desafios.

A escola tem-se tornado, ao longo dos anos, cada vez mais competitiva, sobrecarregando a criança ou o jovem com a pressão dos resultados, com responsabilidades e preocupações.

Daí que, frequentemente, surjam nestas idades sentimentos de fracasso e de ansiedade, que podem perturbar o equilíbrio emocional das crianças ou dos jovens.

Entrada numa escola nova

Quer a entrada para a escola, quer a mudança de um estabelecimento de ensino para outro podem-se tornar situações de stresse para a criança ou jovem, que tem de se adaptar a um novo grupo e desenvolver novas relações sociais. Nestas situações, eles
podem revelar um afastamento social pouco habitual, desânimo, perda de motivação e de capacidade de concentração, mudança de humor e queixas físicas, como dores de cabeça ou de estômago, falta de apetite, etc.

Conselhos para os pais e a família ajudarem neste processo:

Permita que o seu filho se familiarize com a escola nova, visitando-a durante o verão.
Crie expectativas positivas em relação ao novo local de aprendizagem.
Faça um acompanhamento gradual do processo de mudança, estando inicialmente mais presente e dando, progressivamente, tempo para que o seu filho se adapte ao novo contexto.
Preste atenção, sobretudo nos primeiros tempos, ao aparecimento de conflitos.

Stresse associado ao insucesso escolar

Muitas vezes, a ansiedade das crianças e dos jovens diz diretamente respeito ao seu rendimento escolar.
O modo como se enfrentam estas questões é fundamental para o seu desenvolvimento pessoal. Lida melhor com as dificuldades quem atribui a si próprio as causas do insucesso ou sucesso e sente que está em seu poder controlar esses fatores. Por exemplo, se um
estudante considerar que o seu mau resultado num exame se deveu à falta de estudo, está em perfeitas condições para alterar a situação, dedicando- se mais ao trabalho, na próxima situação de avaliação.
Já o mesmo não se passa com quem se culpa por determinado fracasso, mas explica o seu insucesso através de causas que não consegue controlar.
É o caso dos alunos que afirmam que não são capazes porque não são suficientemente inteligentes para resolver determinada questão. Nestas situações, a criança ou o jovem
podem desenvolver uma auto-imagem negativa, o que vai influenciar o modo como encarará a vida e o futuro.
Estas situações são mais graves nos alunos que estão muito dependentes da opinião que os outros fazem de si e que têm como principal motivação escolar ter sucesso para não ficarem mal diante dos seus colegas e família.
Em algumas situações, o aluno pode mesmo pensar que nada do que possa fazer é suficiente para inverter o insucesso, chegando a viver momentos de extrema ansiedade e mesmo de depressão.

Há ainda estudantes que atribuem os resultados a fatores externos, como a sorte ou o azar. Apesar de esta situação não ser tão perigosa como a anterior, uma vez que o aluno não põe em causa a sua própria eficácia, não promove a possibilidade de auto-superação, nem aumenta a motivação e o grau de confiança do jovem.

Conselhos e estratégias ao alcance dos pais e educadores
Ajude o seu filho ou educando a atribuir o sucesso ou o insucesso a causas internas e controláveis. Esforçaste-te e o teste correu-te bem, OU Só não conseguiste tirar uma nota positiva, porque não dedicaste tempo suficiente ao estudo da matéria. Para a próxima conseguirás passar, se te empenhares.

Evite comentários negativos, que levem a criança ou o jovem a achar que não consegue mudar o rumo dos acontecimentos. Não adianta. Tu não consegues mesmo escrever um texto sozinho.

Permita que o seu filho perceba que errar é natural, de modo a evitar um perfeccionismo exagerado, que poderá dar origem a um sentimento forte de frustração face ao insucesso.

Adeqúe a dificuldade da tarefa e o grau de exigência às capacidades da criança ou do jovem.


José Matias Alves
Faculdade de Educação e Psicologia da UCP

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dicas para pais IX

Indisciplina

Trata um homem como é e continuará a ser o que é. Trata um homem como pode e deve ser e converter-se-á no que pode e deve ser.
Goethe
Um dos maiores problemas a afetar a vida familiar e a escolar é o da indisciplina.
Na escola ou em casa surgem problemas a que o educador tem de responder com firmeza e justiça. Alguns conselhos poderão ajudá-lo nessa difícil tarefa.

A questão da indisciplina é extremamente complexa e move inúmeros fatores. Pretende-se aqui, somente, apresentar algumas sugestões, em jeito de conselho, que poderão ajudar na resolução de eventuais situações-problema.

AS NORMAS EFECTIVAS CONTRIBUEM PARA QUE A CRIANÇA SE SINTA SEGURA E CONFIANTE

É importante construir, juntamente com criança, um conjunto de regras que possam nortear o seu comportamento. Como é natural, a definição de normas deve adequar-se a cada contexto específico e ser discutida com a criança.

Deverá ficar bem claro, contudo, que alguns aspetos são negociáveis e que outros não o são, explicando-se as devidas razões.

Como estabelecer um quadro de regras?

 O educador e a(s) criança(s) constroem uma lista com a definição de comportamentos adequados ou desadequados em relação ao contexto previsto – comportamento em casa, visita a familiares, etc.

Selecionam os que, pela sua importância, obrigam à formulação de regra, sendo de clarificar os casos em que esta tem de ser imposta.

Formulam as normas com clareza, para serem bem entendidas pelos mais novos, e de modo positivo, chamando a atenção do jovem para o comportamento adequado.

Ex.: Devo respeitar a minha vez de falar, em vez de Não devo interromper os outros.

Escrevem uma lista com as consequências relativas ao incumprimento das normas
definidas.

Conselhos para a sua aplicação

i)                    Evitar um número exagerado de regras. As normas não devem ser em demasia, caso contrário, o aluno não as vai interiorizar e respeitar.
ii)                  Explicar bem o que é pretendido. Muitas vezes a criança falha porque não ouve, não percebe ou não fixa a ordem que lhe foi dada. Assim, antes de exigir a execução de uma tarefa, deverá discriminar o que é esperado do seu filho, indicar o tempo disponível para o efeito e averiguar se este percebeu o que era pedido.
iii)                Ser coerente e razoável na aplicação do castigo. Para que uma criança aprenda, é necessário que uma conduta tenha sempre o mesmo tipo de consequência.

O REFORÇO DAS CONDUTAS POSITIVAS

O reforço visa aumentar a frequência dos comportamentos adequados, recompensando a criança por algo que fez bem. Pode ser um elogio, um sinal de afeto e carinho, ou mesmo um pequeno prémio.

Deve seguir-se imediatamente ao comportamento pretendido. Se não for assim, perderá o seu efeito e será mais facilmente esquecido. Depois de estar interiorizado o comportamento desejado, o reforço deverá ser intermitente.

O CASTIGO

O castigo deverá decorrer do incumprimento das regras previamente definidas. Se o seu filho não compreender o que era esperado dele, o ato de castigar vai ser gratuito e prejudicial ao desenvolvimento.

Castigar pode consistir em repreender o jovem ou privá-lo de algo de que ele gosta.

Alguns aspetos não poderão ser contudo esquecidos, na altura em que é necessário mostrar-lhe que o incumprimento de determinadas regras tem consequências negativas.

i)                    Deve surgir imediatamente após o ato cometido. Caso contrário, ele não conseguirá relacionar a falta com a consequência do seu ato.
ii)                  Deve ser proporcional ao erro. Os pais terão de reagir calmamente e não em função dos seus humores.
iii)                Deve ser consistente. Não faz sentido que a mesma infração resulte em castigos diferentes, porque, assim, o seu filho não conseguirá interiorizar um padrão de comportamento.


 José Matias Alves
(Professor da UCP)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Música e escola - testemunhos

Ontem, na Escola Superior de Educação de Coimbra, assistimos à atuação do Grupo de Câmara da Orquestra de Vialonga - Agrupamento de Escolas de Vialonga.



No final do concerto, tivemos a oportunidade de conversar com a Ândria Bandjai e a Tatiana Marques, ambas com catorze anos de idade, as quais se encontram a frequentar o 9.º ano. Facilmente, a conversa fluiu para a música e o impacto que esta teve e tem nas suas vidas. A Ândria muito determinada disse “Sempre gostei de música. Quando surgiu esta oportunidade no 1.º ciclo, abracei-a e optei pelo violino, instrumento que sempre gostei. Felizmente, foi o primeiro instrumento a ser trabalho no projeto.” Neste seguimento, a Tatiana adiu que “assim que me convidaram para experimentar, gostei imediatamente! A música teve sempre um canto na minha vida… e escolhi a viola.” Para estas alunas, o projeto da orquestra da Escola da Vialonga revela-se como uma experiência muito enriquecedora. Segundo a Ândria, “Aprendi com o projeto a ser mais cooperante, porque é um trabalho coletivo. Assimilei as críticas e tentei fazer melhor”. Já a Tatiana salientou que “cresci em termos de mentalidade. No início, era difícil, mas comecei a mudar a minha postura. A orquestra deu-me experiências fantásticas! Por vezes, sou de tal forma exigente comigo e com o desempenho dos outros que… a minha cooperação fica…comprometida. Sem dúvida, a orquestra tornou-me mais exigente …” Interpeladas sobre esta experiência, acrescentaram, em jeito de sugestão, que “aconselhamos os nossos colegas a entrarem nestes projetos. Com eles, crescemos, aprendemos, conhecemos realidades distintas…. A música deu-nos tudo isso! Este projeto fez-nos crescer!”. Por fim, fizeram um apelo ao MEC para “ investir muito, muito, muito no projeto”.